domingo, novembro 08, 2009

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"A imaginação disseca o todo da criação de acordo com leis que têm a sua origem no mais fundo das profundezas da alma, e depois junta o organiza os pedaços, criando um novo mundo a partir deles." (Charles Baudelaire)

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"Vamos caminhando aos ziguezagues entre o apocalipse e o paraíso perdido, muito perto do primeiro e muito distantes do segundo; dilacerados entre o anseio e o ódio a nós próprios, perdidos de sonhos e de sonhos perdidos." (Rudolf Schlichter)

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Regresso a casa, a esse lugar onde nunca fui...


[ Christina . Andrew Wyeth ]

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"Fique então com uma pena - disse ela, arrancando uma do leque.
Peguei na pena e, só com o olhar, exprimi-lhe todo o meu fascínio e gratidão. Não estava apenas animado e contente, estava feliz, pairava na bem-aventurança, cheio de bondade, eu não era eu, era uma qualquer criatura não terrestre que desconhecia a maldade e só era capaz de fazer o bem." (Lev Tolstoi, Depois do Baile)

sexta-feira, novembro 06, 2009

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quinta-feira, novembro 05, 2009

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Hoje, sei o fim. Não sei como nem quando, mas sim...
E agora, que princípio quero de mim?

quarta-feira, novembro 04, 2009

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Vou deslizando pela Lisboa adormecida, sem pressa de chegar a lugar nenhum. O compasso, que se afirma sereno no íntimo do meu peito, marca o passo vagaroso do meu vadiar. Antevejo um convite para parar, numa hora que o estômago há-de dar...

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Quem é este
incansável desconhecido
que me leva de vencido,

a mim
frágil parte de um todo
que às vezes se encontra
e outras vezes se perde
nessa parte de ti?


[ De Es Schwertberger: http://www.dees.at ]

[Oiço Through the Devil Softly, o novo de Hope Sandoval & The Warm Inventions...]

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"[...] Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas."

(Herberto Helder)

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"Aturdido pela antevisão do abismo, aterrorizado perante a prova de desintegração mental a que terá que sujeitar-se para realizar o individualismo absoluto, o lírico faz um regresso desvairado ao seu individualismo convencional. No entanto ele nunca mais se libertará da nostalgia dum universo que chegou a pressentir."
(Natália Correia, Poesia de Arte e Realismo Poético)

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“A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora.” (Sophia de Mello Breyner Andresen)

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"Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa."

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Os degraus

"Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo..."

(Mário Quintana)

sexta-feira, outubro 30, 2009

Soneto de Amor

"Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus, não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!"

(José Régio)


[ O Beijo . Gustav Klimt ]

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"Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo." (Fernando Pessoa)

quinta-feira, outubro 29, 2009

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"[...] Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti."

(Alexandre O'Neill, Um Adeus Português)

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"[...] Por que será / que quanto mais repartimos / o coração / maior e mais nosso ele fica?" (Raul de Carvalho, 1920-1984)

quarta-feira, outubro 28, 2009

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"[...] Só tu me acompanhaste súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já hoje a minha única viúva
Não posso dar-te mais do que te dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente subitamente [...]"

(Ruy Belo, Elogio de Maria Teresa)

"[...] Dizia que ao chegar se olhares e me não vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido."

(Ruy Belo, Muriel)

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Encontro-me na separação, separo-me no encontro. Sou bicho frágil e tonto...


[ Melancolia . Edvard Munch ]

terça-feira, outubro 27, 2009

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- Faça favor.
- Não senhor. Você estava primeiro. É regra de bibliófilo. Imagine que eu lhe ficava com a sua descoberta...