I work all day, and get half-drunk at night.
Waking at four to soundless dark, I stare.
In time the curtain-edges will grow light.
Till then I see what’s really always there:
Unresting death, a whole day nearer now,
Making all thought impossible but how
And where and when I shall myself die.
Arid interrogation: yet the dread
Of dying, and being dead,
Flashes afresh to hold and horrify.
The mind blanks at the glare. Not in remorse
—The good not done, the love not given, time
Torn off unused—nor wretchedly because
An only life can take so long to climb
Clear of its wrong beginnings, and may never;
But at the total emptiness for ever,
The sure extinction that we travel to
And shall be lost in always. Not to be here,
Not to be anywhere,
And soon; nothing more terrible, nothing more true.
This is a special way of being afraid
No trick dispels. Religion used to try,
That vast moth-eaten musical brocade
Created to pretend we never die,
And specious stuff that says No rational being
Can fear a thing it will not feel, not seeing
That this is what we fear—no sight, no sound,
No touch or taste or smell, nothing to think with,
Nothing to love or link with,
The anaesthetic from which none come round.
And so it stays just on the edge of vision,
A small unfocused blur, a standing chill
That slows each impulse down to indecision.
Most things may never happen: this one will,
And realisation of it rages out
In furnace-fear when we are caught without
People or drink. Courage is no good:
It means not scaring others. Being brave
Lets no one off the grave.
Death is no different whined at than withstood.
Slowly light strengthens, and the room takes shape.
It stands plain as a wardrobe, what we know,
Have always known, know that we can’t escape,
Yet can’t accept. One side will have to go.
Meanwhile telephones crouch, getting ready to ring
In locked-up offices, and all the uncaring
Intricate rented world begins to rouse.
The sky is white as clay, with no sun.
Work has to be done.
Postmen like doctors go from house to house.
(Philip Larkin)
sexta-feira, julho 04, 2014
quinta-feira, junho 26, 2014
...
"Péricles deitou-se na cama, todo vestido, com a luz apagada. Finalmente percebeu, ao fim de meia vida, que a tensão da batalha e o apaziguamento podiam conviver no mesmo corpo."
(Alexandre Andrade, In Absentia)
(Alexandre Andrade, In Absentia)
...
"Status social sei o que é, e pode ser aberrante a minha insensibilidade ao fenómeno, mas continuo a achar aberrante esse desejo de diferenciação baseado na posse, na gente com quem se convive, nos lugares que se frequentam, naqueles onde se mora ou nos clubes a que se pertence.
Unam-se como nos rebanhos, aliem-se a quem quiserem ou puderem, achem-se importantes e diferentes, joguem golfe se isso socialmente os eleva, mas façam o favor de me deixar de fora."
(J. Rentes de Carvalho, O Meu Bairro, Revista Ler, Junho 2014)
Unam-se como nos rebanhos, aliem-se a quem quiserem ou puderem, achem-se importantes e diferentes, joguem golfe se isso socialmente os eleva, mas façam o favor de me deixar de fora."
(J. Rentes de Carvalho, O Meu Bairro, Revista Ler, Junho 2014)
segunda-feira, junho 16, 2014
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Sempre que se iniciava o debate, afirmava peremptoriamente uma ideia: fundamental, dizia, é que se debatam as ideias. Depois, calava-se: era a única que tinha...
quinta-feira, maio 29, 2014
OS NÁUFRAGOS
Coincidiam no descontentamento face ao estado do país, que se vinha degradando há décadas. Idealistas, ambicionando desde sempre um mundo melhor, divergiam no entanto quanto à solução capaz de gerar uma ruptura profundamente transformadora. Todos os dias, ao amanhecer, desciam juntos até à praia...
- As coisas só podem mudar se as pessoas decidirem não votar. Ir às urnas é legitimar o exercício do poder, e está mais do que na altura de tirar a legitimidade a este poder que se vem perpetuando. A abstenção total representaria a falência do sistema, que não teria outra hipótese se não a de se refundar. É nisso que temos de investir, em convencer as pessoas a recusarem-se a participar no sufrágio, a não ir a jogo. O poder do direito de voto está em não exercer esse direito, e é disso que os partidos têm medo. "Se o voto mudasse alguma coisa, votar era proibido."
- Lá estás tu a fantasiar... Uma abstenção dessas nunca vai acontecer, estou farto de te dizer. Sabes bem que os aparelhos partidários movimentam muita gente. Haverá sempre quem vá às urnas, por inconsciência, por convicção, por conformismo, por fidelidade, por interesse, porque foi um direito que se conquistou, porque sim, porque não, eu sei lá porquê. E hão-de votar sempre nos mesmos, alternado aqui e ali. A abstenção favorece os partidos do "arco", consecutivamente eleitos por uma minoria que não se demite de lá ir fazer a cruzinha no boletim... Já para não falar do potencial espaço que abre à ascensão dos extremos... A solução passa por convencer quem se abstém a votar nos pequenos partidos com gente séria, que os há, e a dar a oportunidade a quem nunca pôs o cu no Parlamento. Há que levar gente nova para a Assembleia, baralhar tudo e voltar a dar. É disso que temos de convencer as pessoas. Toca a votar! "Se a abstenção mudasse alguma coisa, votar era obrigatório."
- Impossível. E dizes tu que estou a fantasiar... Nunca vais conseguir mobilizar toda a gente, nem sequer muita. A luta da maioria é outra, não vês? Procuram sobreviver, têm lá tempo para pensar a política. Já estou a imaginar o tipo lá da rua a ler programas eleitorais entre piropos à mulher do vizinho... Havia de ser giro: "Ó flor, com que partido te identificas mais quanto à questão da imigração? Dá para entrar, ou achas que é melhor não?" Não me faças rir... Só a abstenção tem hipóteses: parte não vai votar porque não é capaz de querer, a outra não vai porque escolhe não o fazer. Greve ao voto, é o que te digo...
- Isso nunca vai acontecer. Há sempre uma minoria que vota...
- Isso é que nunca vai acontecer. Há sempre uma maioria que não vota...
Pés na areia, aí se sentavam, dia após dia, já em silêncio, frente ao mar. E aí ficavam, embalados pelo vaivém da ondulação, olhos postos no espelho infinito, eternamente à espera de um barco que teimava em não passar...
- As coisas só podem mudar se as pessoas decidirem não votar. Ir às urnas é legitimar o exercício do poder, e está mais do que na altura de tirar a legitimidade a este poder que se vem perpetuando. A abstenção total representaria a falência do sistema, que não teria outra hipótese se não a de se refundar. É nisso que temos de investir, em convencer as pessoas a recusarem-se a participar no sufrágio, a não ir a jogo. O poder do direito de voto está em não exercer esse direito, e é disso que os partidos têm medo. "Se o voto mudasse alguma coisa, votar era proibido."
- Lá estás tu a fantasiar... Uma abstenção dessas nunca vai acontecer, estou farto de te dizer. Sabes bem que os aparelhos partidários movimentam muita gente. Haverá sempre quem vá às urnas, por inconsciência, por convicção, por conformismo, por fidelidade, por interesse, porque foi um direito que se conquistou, porque sim, porque não, eu sei lá porquê. E hão-de votar sempre nos mesmos, alternado aqui e ali. A abstenção favorece os partidos do "arco", consecutivamente eleitos por uma minoria que não se demite de lá ir fazer a cruzinha no boletim... Já para não falar do potencial espaço que abre à ascensão dos extremos... A solução passa por convencer quem se abstém a votar nos pequenos partidos com gente séria, que os há, e a dar a oportunidade a quem nunca pôs o cu no Parlamento. Há que levar gente nova para a Assembleia, baralhar tudo e voltar a dar. É disso que temos de convencer as pessoas. Toca a votar! "Se a abstenção mudasse alguma coisa, votar era obrigatório."
- Impossível. E dizes tu que estou a fantasiar... Nunca vais conseguir mobilizar toda a gente, nem sequer muita. A luta da maioria é outra, não vês? Procuram sobreviver, têm lá tempo para pensar a política. Já estou a imaginar o tipo lá da rua a ler programas eleitorais entre piropos à mulher do vizinho... Havia de ser giro: "Ó flor, com que partido te identificas mais quanto à questão da imigração? Dá para entrar, ou achas que é melhor não?" Não me faças rir... Só a abstenção tem hipóteses: parte não vai votar porque não é capaz de querer, a outra não vai porque escolhe não o fazer. Greve ao voto, é o que te digo...
- Isso nunca vai acontecer. Há sempre uma minoria que vota...
- Isso é que nunca vai acontecer. Há sempre uma maioria que não vota...
Pés na areia, aí se sentavam, dia após dia, já em silêncio, frente ao mar. E aí ficavam, embalados pelo vaivém da ondulação, olhos postos no espelho infinito, eternamente à espera de um barco que teimava em não passar...
segunda-feira, maio 26, 2014
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"Once upon a time there was a bear and a bee who lived in a wood and were the best of friends. All summer long the bee collected nectar from morning to night while the bear lay on his back basking in the long grass. When winter came the bear realised he had nothing to eat and thought to himself: 'I hope that busy little bee will share some of his honey with me.' But the bee was nowhere to be found - he had died of a stress induced coronary disease."
(Banksy, Wall and Piece)
(Banksy, Wall and Piece)
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"I believe that we should read only those books that bite and sting us. If a book we're reading does not rouse us with a blow to the head, then why read it?"
(Philip Roth)
(Philip Roth)
sexta-feira, maio 16, 2014
...
"Aceitei como natural ser o dever da Alemanha, para bem da humanidade, impor o nosso modo de vida a raças e nações inferiores, as quais, talvez por causa da sua inteligência limitada, não compreenderiam os nossos propósitos."
(Henry Metelmann, Through Hell for Hitler)
(Henry Metelmann, Through Hell for Hitler)
Arte Peripoética
Aristóteles, visita
da casa de minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de ser
contra a maneira do tempo
esta maneira de ver
o que o tempo tem por dentro.
Aristóteles diria
entre dois goles de chá
que o melhor ainda será
deixar o tempo onde está
pô-lo de perto no tema
e de parte na poesia
para manter o poema
dentro da ordem do dia.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só.
Ele sabia que o poeta
depois de tudo inventado
depois de tudo previsto
de tudo vistoriado
teria de fazer isto
para não continuar
com que já estava acabado
teria de ser presente
não futuro antecipado
não profeta não vidente
mas aço bem temperado
cachorro ferrando o dente
na canela do passado
adaga cravando a ponta
no coração do sentido
palavra osso furando
pele de cão perseguido.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de riso
que é a mais original
forma de se ter juízo
e ser poeta actual.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
também diria antes só
do que mal acompanhado
antes morto emparedado
em muro de pedra e cal
aonde não entre bicho
que não seja essencial
à evasão da palavra
deste silêncio mortal.
(Ary dos Santos, Adereços, Endereços, Lisboa, 1965)
da casa de minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de ser
contra a maneira do tempo
esta maneira de ver
o que o tempo tem por dentro.
Aristóteles diria
entre dois goles de chá
que o melhor ainda será
deixar o tempo onde está
pô-lo de perto no tema
e de parte na poesia
para manter o poema
dentro da ordem do dia.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só.
Ele sabia que o poeta
depois de tudo inventado
depois de tudo previsto
de tudo vistoriado
teria de fazer isto
para não continuar
com que já estava acabado
teria de ser presente
não futuro antecipado
não profeta não vidente
mas aço bem temperado
cachorro ferrando o dente
na canela do passado
adaga cravando a ponta
no coração do sentido
palavra osso furando
pele de cão perseguido.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de riso
que é a mais original
forma de se ter juízo
e ser poeta actual.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
também diria antes só
do que mal acompanhado
antes morto emparedado
em muro de pedra e cal
aonde não entre bicho
que não seja essencial
à evasão da palavra
deste silêncio mortal.
(Ary dos Santos, Adereços, Endereços, Lisboa, 1965)
quinta-feira, maio 08, 2014
...
PROTESTO
Este tempo e este lugar
não fui eu que os escolhi.
Porque me exigem, então,
que a eles me subordine?
Quero dizer o que quero
e ir para o mundo que quero
pelo caminho que quero.
E, mesmo que mo não deixem,
não deixarei de querê-lo.
(Armindo Rodrigues)
Este tempo e este lugar
não fui eu que os escolhi.
Porque me exigem, então,
que a eles me subordine?
Quero dizer o que quero
e ir para o mundo que quero
pelo caminho que quero.
E, mesmo que mo não deixem,
não deixarei de querê-lo.
(Armindo Rodrigues)
sexta-feira, maio 02, 2014
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"A água estava quieta e escura, lisa como um espelho. [...] viu-se reflectido nela. Foi com ternura que se observou, numa carinhosa piedade por si mesmo. Para os espelhos nunca era invisível e, diante dos espelhos, achava-se belo e triste, solitário e pobre, sem nada nem ninguém, tendo apenas por companhia a sua imagem. E era por isso que tanto gostava de banhar-se nos rios, como se mergulhar neles e agitar-se nas águas fosse a maneira de unir-se àquela imagem fascinante que nunca, senão assim quebrada por ele mesmo, era invisível e unida a ele."
(Jorge de Sena, O Físico Prodigioso)
(Jorge de Sena, O Físico Prodigioso)
segunda-feira, abril 28, 2014
...
Quando morre uma personalidade de renome, Narciso aproveita a ocasião para lhe prestar a devida homenagem. Mas, sendo Narciso quem é, facilmente se compreende que o morto pouco importa, ou que importa apenas na medida em que serve de tribuna a partir da qual Narciso pode falar de si próprio: de como tinha o privilégio de conhecer tão ilustre falecido, de como fazia parte dos eleitos de tão exclusivo círculo social, de como o tratava por tu, etc., etc.. Olhem para mim, pede Narciso, depois de subir para cima do morto. Olhem para mim, repete, enquanto procura nos olhares que o fitam o reflexo admirável que é incapaz de encontrar frente ao espelho...
quinta-feira, abril 24, 2014
...
"Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura duma pedra. Não sei – nem me importo – se creio na imortalidade da alma, mas do fundo do meu ser agradeço a Deus ter-me deixado assistir um momento a este espectáculo desabalado da vida. Isso me basta. Isso me enche: levo-o para a cova, para remoer durante séculos e séculos, até ao juízo final. Nunca fui homem de acção e ainda bem para mim: tive mais horas perdidas..."
(Raul Brandão, Memórias)
(Raul Brandão, Memórias)
terça-feira, abril 22, 2014
...
"Ah, mas quem sou eu para falar assim! Não passo dum egoísta transcendente. Este desgosto de mim próprio, da vida e dos homens, que é senão vaidade ferida, ambição desmedida, orgulho inconfesso?... Tenho um conceito exagerado da minha importância. Volto-me então contra os outros, torno-os responsáveis das minhas falhas: e que podem eles fazer? em que lei está escrito que eles ou eu devamos ser bons, justos, superiores? Reclamar a perfeição não será a melhor forma de desistir, de dizer «não posso»? Exijam a um homem comum que seja santo, génio, ou puro, e ele, assustado, será incapaz de nos dar simplesmente o de que é capaz. Pedimos a Lua..."
(José Rodrigues Miguéis, Idealista no Mundo Real)
(José Rodrigues Miguéis, Idealista no Mundo Real)
segunda-feira, março 31, 2014
sexta-feira, março 28, 2014
segunda-feira, março 24, 2014
...
"Dera ultimamente em ficar até tarde na cama, a ler, a cismar, a fumar, empoçado em si mesmo, a esfiar sonhos e projectos, sobretudo a remexer em venenos de experiência, em lembranças incolores, em nada. Era o seu refúgio. Na melancolia dos dias de chuva, com o cigarro a queimar-lhe os dedos, sem coragem para ler o livro aberto na colcha ou caído no tapete esgarçado, via flutuar as imagens da sua fantasia no ecrã do céu baço e inexpressivo. Adivinhava a tristeza da rua lôbrega, onde o sol mal penetrava, os carros à cunha, o trovejar do tráfego, gritos e pregões, um cheiro de muares suadas, mais longe a agitação dos mercados e dos cais. O mundo em volta dele arfava, um ror de gente labutava desde cedo, e ele ali deitado a suar inquietação, ponto imóvel no centro do universo em movimento, à espera nem sabia de quê, deixando escoar o tempo irreversível. A actividade dos outros atraía-o e aterrava-o. Queria agir, organizar a existência, consagrar-se a alguém, a uma obra: mas todo o seu dinamismo era interior, como o do caleidoscópio: por fora um canudo negro."
(José Rodrigues Miguéis, Idealista no Mundo Real)
(José Rodrigues Miguéis, Idealista no Mundo Real)
...
"O grito duma sereia no Tejo rasgou o véu azul da manhã. Baltasar virou-se para as janelas e, com a face apoiada na mão esquerda, ficou a olhá-las. As andorinhas cortavam o ar, explorando os beirais familiares. Adivinhava-se o primeiro espreguiçamento da Primavera no ar quase tépido, e ao fundo, para lá do casario apinhado, a toalha do rio desdobrada ao sol. Nos telhados forrados de musgos, líquenes e gramíneas, enxugava a humidade dos chuveiros da véspera. Era bom estar assim ocioso, a olhar a luz tranquila e perdulária, a sentir crescer no peito e irradiar no corpo inteiro um hálito de íntima e quase dolorosa felicidade. Desejaria eternizar estes instantes, deter a marcha do tempo, ou ficar boiando nele como nas águas dum rio, inerte e ausente, sem pensar na vida, no futuro, no passado sobretudo, livre naquele anel de angústia em que a implacável lucidez do despertar lhe cingia o coração, gozar a paz do esquecimento, ser outra vez pequeno, sonhar um mundo hospitaleiro, não ter remorsos nem pena."
(José Rodrigues Miguéis, Idealista no Mundo Real)
(José Rodrigues Miguéis, Idealista no Mundo Real)
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