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"Não me peças palavras, nem baladas, Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio, Deixa cair as pálpebras pesadas, E entre os seios me apertes sem receio. Na tua boca sob a minha, ao meio, Nossas línguas se busquem, desvairadas... E que os meus flancos nus vibrem no enleio Das tuas pernas ágeis e delgadas. E em duas bocas uma língua..., - unidos, Nós trocaremos beijos e gemidos, Sentindo o nosso sangue misturar-se. Depois... - abre os teus olhos, minha amada! Enterra-os bem nos meus, não digas nada... Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!" (José Régio) [ O Beijo . Gustav Klimt ]
"Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo." (Fernando Pessoa)
"[...] Nesta curva tão terna e lancinante que vai ser que já é o teu desaparecimento digo-te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti." (Alexandre O'Neill, Um Adeus Português)
"[...] Por que será / que quanto mais repartimos / o coração / maior e mais nosso ele fica?" (Raul de Carvalho, 1920-1984)
"[...] Só tu me acompanhaste súbitos momentos quando tudo ruía ao meu redor e me sentia só e no cabo do mundo Contigo fui cruel no dia a dia mais que mulher tu és já hoje a minha única viúva Não posso dar-te mais do que te dou este molhado olhar de homem que morre e se comove ao ver-te assim presente subitamente [...]" (Ruy Belo, Elogio de Maria Teresa) "[...] Dizia que ao chegar se olhares e me não vires nada penses ou faças vai-te embora eu não te faço falta e não tem sentido esperares por quem talvez tenha morrido ou nem sequer talvez tenha existido." (Ruy Belo, Muriel)
Encontro-me na separação, separo-me no encontro. Sou bicho frágil e tonto... [ Melancolia . Edvard Munch ]
- Faça favor. - Não senhor. Você estava primeiro. É regra de bibliófilo. Imagine que eu lhe ficava com a sua descoberta...
"Saiba o homem partir só para a aventura da vida; e então o encontro com o outro será um pacto de solidariedade e não um laço de escravidão." (António Coimbra de Matos)
"Deus é existirmos e isso não ser tudo." (Fernando Pessoa, Livro do Desasossego)
"Limitamos Deus atribuindo todos os males ao Diabo. Uma infinita bondade e uma infinita justiça, despidas de todo o pensamento que a moral condena, fazem suspeitar que se empregou na construção uma escala demasiado humana; mais uma vez nos julgámos os senhores absolutos; mais uma vez nos quisemos centro do universo e nos vimos tratados com atenção e carinho especiais. Não ousou o homem pôr a maldade entre os atributos de Deus e pecou primeiramente porque foi estreito; e de novo pecou porque foi tímido. Consolava-o a ideia de uma protecção sempre possível e a mente, que se não levantava ao total, só pôde conceber a explicação infantil e ilógica dos dois demiurgos. Fugimos da aspereza e erguemos um palácio de fadas, esplêndido e seguro, mas enervante e mole; tememos a vida e a vida se vingou. Restituamos a Deus toda a sua grandeza; reconheçamos o seu poder na violência e no terror; tenhamos por divino o abaixamento deste tempos; emana Caim do espírito supremo - como Abel; não tiremos a Deus o que temos como ideal superior: a vontade do progresso; não o despojemos, por interesse egoísta, do prazer de marchar, não lhe dêmos em troca da variedade que roubamos a monotonia a que aspira a alma baixa. E em face de um Deus pleno e terrível sejamos heróicos; cresçam as forças com que lutamos, seja mais larga a compreensão, mais perfeito o amor; enfrentemos o mal, cara a cara, e adoremos o Senhor no inimigo que nos derruba e pisa. Sejamos bravos e tolerantes. Não vacilemos na derrota, nem um instante voltemos costas ao perigo; mas não abusemos da vitória. É este o dom que nos oferece Deus, liberto de cadeias terrestres." (Agostinho da Silva, Considerações e Outros Textos)
"What does the fish know about the water in which it swims?" (Einstein)
Lembra-te que todos os momentos que nos coroaram todas as estradas radiosas que abrimos irão achando sem fim seu ansioso lugar seu botão de florir o horizonte e que dessa procura extenuante e precisa não teremos sinal senão o de saber que irá por onde fomos um para o outro vividos (Mário Cesariny) [ Untitled . Vernon Treweeke . beinart.org][Oiço Imidiwan: Companions, o novo de Tinariwen. Depois, ficarei a conhecer Love 2, de Air...]
[ Pormenor de Ayahuasca Dream . Robert Venosa . beinart.org][ Improbable dreams, por Tom Chambers, na Burn...]
"Não me julgue V. a caminho da loucura; creio que não estou. Isto é uma crise grave de um espírito felizmente capaz de ter crises destas." (Carta de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro, de 6 de Dezembro de 1915)
"O encontro com o mundo índio não é hoje um luxo. Tornou-se uma necessidade para quem quer compreender o que se passa no mundo moderno. Não basta porém compreender; trata-se de tentar ir até ao fim de todas as galerias obscuras, de procurar abrir algumas portas - quer dizer, no fundo, tentar sobreviver. O nosso universo de cimento e de ramificações eléctricas não é simples. Quanto mais se o pretende explicar, mais ele se nos escapa. Viver por dentro, hermeticamente fechado, seguindo os impulsos mecânicos, sem procurar trespassar estas muralhas e estes tectos, é mais do que insconsciência; é expormo-nos ao perigo de sermos pervertidos, mortos, tragados. Sabemos hoje que não há verdades; apenas há explosões, metamorfoses, dúvidas. Bem entendido, queremos abalar. Mas para onde? Todos os caminhos são parecidos, todos são um regresso ao próprio indivíduo. É pois preciso procurar outras viagens..." (J.M.G. Le Clézio, Índio Branco)
Se o tudo pudesse ser escrito, nada se escrevia...
"Abra-se esta cortina de sombras, e deixe-me eu guiar, sem receio, rumo à luz! Gira, sol, e tu, noite imensa, afasta do meu coração tudo quanto não seja a fé na minha nova estrela." (André Breton, O Amor Louco)
"Quiero un amor feroz de garra y diente Que me asalte a traición a pleno día [...]" (Alfonsina Storni)
"Quero desnascer, ir-me embora, sem sequer ter que me ir embora." (José Mário Branco)
E descobrir, nessa mulher, o eterno desejo de (me) ir descobrindo... [ Blue Landscape . Marc Chagall ][Oiço Sometimes I Wish We Were An Eagle, por Bill Callahan...]
"Ainda hoje, apenas espero colher os frutos da minha disponibilidade, desta minha sede de ir ao encontro de tudo que, estou certo, me mantém em misteriosa comunicação com os outros seres disponíveis, como se algo houvesse que nos impelisse a uma súbita união. Gostaria que a minha vida não deixasse atrás de si outra coisa que não fosse o simples murmúrio de uma canção de quem está de atalaia, uma canção para enganar o tempo de espera. Independentemente do que possa ou não acontecer, a espera é que é, na realidade, magnífica." (André Breton, O Amor Louco)
"Uma arma de triunfo te dei, sobre todas as outras: a coragem de seres só; deixou de te afectar como argumento ou força esmagadora a alheia opinião, as ligeiras correntes e os redemoinhos do mar; rocha pequena, mas segura, sobre ti se hão-de erguer, para que vençam a noite, as luzes salvadoras; não te prendem os louvores dos que te querem aliado, nem as ameaças dos contrários; traçaste a tua rota e hás-de segui-la até ao fim, sem que te desviem as variadas pressões. Só e constante, mesmo em face do tempo; os anos que rolam tu os consideras elemento de experiência; para os homens futuros episódios sem valor; se eles te abaterem, só terão abatido o que há de menos valioso; e contribuirão para que melhor se afirme o que puseste como lição da tua vida; a muitos absorve o actual; mas a ti, que tens como tua grande linha de cultura, e porventura tua alma, a posse das largas perspectivas, a hora começando te vê firme e firme te abandona. Nenhuma estóica rigidez neste teu porte; antes a compassada lentidão, a facilidade maleável de bom ginasta; não é por amor da Humanidade que hás-de perder as mais fundas qualidades de homem. Em tal espelho me revejo, eu que tomei tua alma incerta e a guiei; e contemplo como doceoferenda, como a mais bela visão que me poderias conceder, a clara manhã que já de ti desponta e lentamente progredindo há-de acabar por embalar o universo nos seus braços de luz." (Agostinho da Silva, Considerações) E o encontro... [Untitled . Júlio Pomar][Oiço Late Night Tales, por Groove Armada, de 2008...]
"Considerar a nossa maior angústia como um incidente sem importância, não só na vida do universo, mas da nossa mesma alma, é o princípio da sabedoria." (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)
"Eu nem sequer gosto de escrever. Acontece-me às vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar. E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida." (Eugénio de Andrade, Rosto Precário)
"Sometimes you have to take the leap, and build your wings on the way down." (Kobi Yamada)
"A meu ver, essas horas negras, em que de súbito o amor bate asas e mergulha, sem apelo nem agravo, até ao fundo do abismo para logo ascender em linha recta, devem ser enfrentadas sem receio, precisamente na medida em que o homem, mercê de um comportamento adequado, pode aspirar a reduzi-las no âmbito da sua existência. O que interessa, antes de mais, é que ele saiba com o que pode contar, caso se revele uma súbita incompatibilidade entre si e o objecto do seu amor: mas pressupõe esta incompatibilidade motivos profundos que desde há muito tenham vindo a minar o amor, ou será ela apenas o fruto de uma série de razões de circunstância, que nada têm a ver com essa amor? Desinteresso-me, desde já, pelo primeiro caso: estou a escrever O Amor Louco. Quanto ao segundo, em que me incluo, tenho a dizer que essas razões de circunstância deverão ser esclarecidas, que nunca se deve recuar, nem perante o intrincado da situação, nem, em última análise, perante o carácter altamente enigmático de algumas dessas razões. Dada a violência do embate que, quando eles menos o esperam, faz erguerem-se um contra o outro dois seres que até aí viviam em perfeito acordo e que, à primeira aberta, no dia seguinte, ou daí a momentos, serão incapazes de explicar a si mesmos esse seu reflexo, fruto da angústia e das suas gigantescas construções de papelão, no estilo das termiteiras, que, num abrir e fechar de olhos, se sobrepõem a tudo, creio que nos encontramos em presença de um mal já suficientemente diagnosticado para que lhe possamos detectar as origens e, posteriormente, dar-lhe remédio. Vemo-nos, uma vez mais, na necessidade de refutar a tão divulgada opinião de que o amor, tal como o diamante, se desgasta com o seu próprio pó, o qual se conserva em suspensão pela vida fora. Se é verdade que o amor sai indemne de tais desvarios, já o mesmo não acontece com o ser que ama. Esse ser está sujeito a sofrer e, o que é pior, a equivocar-se sobre as razões desse sofrimento. Tendo feito dádiva total de si mesmo, é levado a incriminar o amor, quando o defeito reside precisamente na vida." (André Breton, O Amor Louco) [Untitled . James McCarthy . beinart.org][Oiço Ambivalence Avenue, de Bibio...]
Interessante, a forma como a vida evoluiu, a ponto de se achar, hoje, perplexa consigo mesma. Parece que, de alguma forma, a vida decidiu conceber-se num ser extraordinário, disponível para contemplar o mistério que encerra e que o rodeia, e capaz de com esse universo externo e interno se maravilhar profundamente. Quase como se a vida quisesse olhar para si própria, descobrir-se, conhecer-se... Como se desse desejo de se sentir, a vida tivesse inventado o Homem... Fascina-me a semente que nasce, a árvore que cresce, e a floresta que amanhece... Fascina-me o cosmos, esse infinito que sinto viver dentro e fora de mim. Fascinam-me as estrelas, do céu e do mar... [Untitled . Paul N Grech . beinart.org][Oiço Who Am I, de Lou Reed. Apropriada... Nos feriados: Blood, de Franz Ferdinand; Hombre Lobo: 12 Songs of Desire, de Eels; Wolfgang Amadeus Phoenix, de Phoenix; Yesterday & Today, de The Field; Bitte Orca, de Dirty Projectors; Veckatimest, de Grizzly Bear; Wavvves, de Wavves; Still Night, Still Light, de Au Revoir Simone; Rainwater Cassette Exchange, de Deerhunter; Around the Well, de Iron and Wine; e Invisible Cities, de Nomo...]
"Não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar, e me encontrar fugindo." (José Mário Branco, FMI [ parte 1 | parte 2]) [Viagens sem regresso . Cruzeiro Seixas . Gulbenkian][Oiço Junior, o novo de Röyksopp. Muito interessante, a entrevista de Carlos Vaz Marques a John Gray, autor de Sobre humanos e outros animais. Bem como a conversa com Aldo Naouri, dirigida aos progenitores...]
"Obstáculo foi coisa que jamais me importou; procurei sempre seguir a lição dos rios: tiram a extensão e variedade de seu curso daquilo que se lhes opõe; ou das pedras: depende do que somos esbarrarmos nelas e nos queixarmos, ou subir-lhes em cima e ver mais longe." (Agostinho da Silva)
"We drive into the future using only our rearview mirror." (Marshall McLuhan) [Vale a pena ver The Healing Fields...]
"We shall not cease from exploration and the end of all our exploring will be to arrive where we started... and know the place for the first time." (T. S. Eliot) [Verdadeiramente delicioso: Dialogue Avec Mon Jardinier...]
- Why does the past make you laugh? - It's just a story, it's very insignificant, it's very shallow... - Isn't your past who you are? - Not this child's past. The past is a story, it's like a book. Am I a book? [ Autor brasileiro (?) desconhecido... ][Depois de One Hundred Miles from Thoughtlessness, de Noiserv, oiço March of the Zapotec, o novo de Beirut. De seguida, vou ficar a conhecer The Pains of Being Pure at Heart... E já agora, recomendo Sobre Humanos e Outros Animais ( Straw Dogs), ensaio do britânico John Gray. Por último, vale a pena ver o novo documentário de Werner Herzog, Encounters at the End of the World...]
"I have lived through much, and now I think I have found what is needed for happiness. A quiet secluded life in the country, with the possibility of being useful to people to whom it is easy to do good, and who are not accustomed to have it done to them; then work which one hopes may be of some use; then rest, nature, books, music, love for one’s neighbor — such is my idea of happiness. And then, on the top of all that, you for a mate, and children, perhaps — what more can the heart of man desire?" (Leo Tolstoy in Family Happiness")  [No repeat: Por Una Cabeza, de Carlos Gardel, numa versão de Goran Bregovic e Emir Kusturica; Microcastle, de Deerhunter; e Another World, o novo EP de Antony & The Johnsons...]
"It is no measure of health to be well adjusted to a profoundly sick society." (Jiddu Krishnamurti)
"On ne peut découvrir de nouvelles contrées sans consentir à perdre le rivage de vue pendant très longtemps". (André Gide)
Caminho pela margem. Procuro essa ponte para as palavras...
"No fundo, é isso, a solidão: envolvermo-nos no casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e aguardarmos a metamorfose, porque ela acaba sempre por chegar." (August Strindberg) [Cavity I . Mats Tusenfot . beinart.org][Oiço Dear Science, o novo álbum de TV on the Radio...]
"Para mim, o maior dos suplícios seria estar sozinho no Paraíso." (Johann Wolfgang von Goethe) [Breaking Up . Laurie Lipton . beinart.org][Oiço með suð í eyrum við spilum endalaust, o novo álbum dos islandeses Sigur Rós. Vale a pena conhecer o trabalho do britânico Bruce Parry. Algumas das suas experiências estão online, tal como Going Tribal - Lost Islands of Anuta...]
Por aqui deixo o resultado de algumas experiências, sobre as quais tive a oportunidade de escrever... Distribuidor de jornais gratuitos . 2008.06.08 [ ZIP 700KB ] Vigilante mobile . 2008.08.03 [ ZIP 632KB ] Carteiro . 2008.08.24 [ ZIP 544KB ] Parecem saber a pouco, esses breves momentos em que o carteiro distribui sorrisos que ninguém mandou, em que entrega palavras que ninguém escreveu... [Infelizmente, não vou poder assistir a Mona Lisa Show, em cena de 9 a 12 de Outubro no CBB. Entretanto, continuo a ouvir Wake From Your Slumber, dos portugueses Instead. E depois, vou escutar, pela primeira vez, Bring me Your Love, de City and Coulour...]
"When we wish to fully understand something we are observing, we must fully understand who is looking." (De Es Schwertberger) [William White, Chicago Art District Gallery: visionarypaintings.com]
"Silencio é felicidade [...]", e é também "[...] o oceano em que todos os rios de todas as religiões desaguam", diria Thayumanavar [தாயுமானவர்)], do séc. XVIII. Ao que Francis Bacon, de antes disso, responderia, que "o silêncio é a virtude dos loucos". "Será a linguagem a expressão adequada para todas as realidades?", perguntaria Nietzsche... "Fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio, ou então, guarda silêncio", diria o poupado Eurípedes, do lado negativo do calendário mainstream. Porque "a palavra é tempo", e "o silêncio é eternidade" (Maurice Maeterlinck). "O melhor uso que se pode fazer da palavra é calar-se", concordaria Chuang Tse. Porque "o poema não é feito dessas letras que eu espeto como pregos, mas do branco que fica no papel" (Paul Claudel). "O silêncio é uma confissão", diria Camilo Castelo Branco, em bom português. "É melhor ser rei do teu silêncio do que escravo das tuas palavras", sublinharia Shakespeare, divertido. "Nunca quebres o silêncio se não for para o melhorar", tocaria Beethoven, noutro ponto...E nuestro hermano, muito atento, lembraria que "o silêncio é a retórica dos amantes" (Pedro Barca). Mas, mesmo vindo à baila o amor, falaria ainda o senhor paradoxo (Agostinho da Silva), porque "só falando preservas o silêncio". E assim iriam, noite dentro, rumo ao indizível... Para mim, se é que as palavras me permito usar... Hoje... O silêncio tem a dimensão do que és... [De Es Schwertberger: http://www.dees.at][Vale a pena ir com Louis Theroux: Indian Enlighnment (parte 1 a 6)]
O Infinito começa em mim...
"O poema não é feito dessas letras que eu espeto como pregos, mas do branco que fica no papel". (Paul Claudel)
There must be some way out of here... [Oiço o choro dos violinos de One More Cup of Coffee, de Bob Dylan, depois de ter chegado ao fim de I'm Not There...]
 [Vale a pena ver The 11th Hour. Por agora, oiço Land and the Lion, tema de abertura de HHLLYH, o novo álbum de The Mae Shi...]
A vida tem-me colocado cada vez mais na posição de ouvinte...
Num ano, houve tanto que mudou. Ou fui eu quem mudou tanto... Quem, hoje em dia, sai à rua sem ter a certeza de que vai ser violado, talvez roubado, quiçá espancado, raptado? Ou mesmo ser vítima de carjacking, ou alvo de terrorismo? Dizia-me ele no outro dia, depois de seis décadas a lutar por se abrir aos afectos: "Já não faço uma festa a um miúdo, se com ele me cruzar na rua"... Mas de onde vem este medo, de ser mal interpretado, de ser visto como errado? E depois ainda há a depressão, e a recessão, e a instabilidade dos mercados, e as alterações climáticas, e os tufões, e os tsunamis, e o degelo... Where the fuck are all these things happening? Cada vez mais acredito não ser por acaso que todas essas notícias, assim lhes chamam, surjam constantemente nas primeiras páginas dos diários. Nem me parece ser coincidência que todos os dias se abram com elas os telejornais. Mas porquê? Concordo cada vez mais com esses a quem chamamos loucos, com esses que vêm aquilo em que não podemos acreditar... Porque cada vez mais entendo o objectivo de, todos os dias, essa realidade nos ser oferecida a toda a hora, dura e crua. Só pode servir o intuito de nos separar, de nos afastar, de nos isolar. De nos fazer esquecer de que o sentido desta viagem é, pelo contrário, encontrarmo-nos, aproximarmo-nos, darmo-nos ao outro... Para que despidos das relações, perdidos de nós mesmos, procuremos naquilo que vendem o preenchimento do vazio em que nos deixam. Para que trabalhemos, muito, e para que recebamos, pouco, na esperança de que seja suficiente, para o trocarmos... Por aquele último modelo de televisão, com alta-definição, para iludir a solidão. Por aquele automóvel vistoso, que na hora de ponta nos leva poderoso. Por aquela casa, lá no alto, junto às nuvens, longe de tudo e de todos... Para onde podemos fugir... Onde nos podemos fechar, e trancar, seguros... E de onde podemos desfrutar, sozinhos, dessa vista desafogada sobre um mundo do qual nos sentimos cada vez menos parte, sobre esse outro de quem nos sentimos cada vez mais distantes... ... Now in our culture we've been trained for individual differences to stand out, so you look at each person and immediately it is: brighter, dumber, older, younger, richer, poorer, and we make all these dimensional distinctions, put them in categories and treat them that way. And we get so that we only see others as separate from ourselves, in the ways that they're separate. And one of the dramatic characteristics of [...] experience is being with another person and suddenly seeing the ways in which they're like you, not different from you. And experiencing the fact of that which is essence in you, and which is essence in me, is indeed one. The understanding that there is no other, it is all one. (Richard "Ram Dass" Alpert) [Salvador Dali na TV, em What's my line? Entretanto, oiço Saturday = Youth, de M83. Assim que possível, quero ler O Macaco Nú, de Desmond Morris, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Cosmos, de Carl Sagan, A Era do Vazio, de Gilles Lipovetsky, 1984, de George Orwell, e Walden ou a Vida nos Bosques, de Henry David Thoreau...]
"Não se pode dizer a verdade na televisão, há muita gente que vê." ( Michel Colucci)
 [Infelizmente, Beirut não vai passar por cá este Verão. Por agora, oiço Thickets and Stitches, de The Mumlers. Recomendo Pedro e o Lobo, a curta de animação que saiu com o Público...]
Entristece-me, este constante esforço para separar aquilo que é inseparável. Que ao invés de na união, se viva na divisão... "Human history can be viewed as a slowly dawning awareness that we are members of a larger group. Initially our loyalties were to ourselves and our immediate family, next, to bands of wandering hunter-gatherers, then to tribes, small settlements, city-states, nations. We have broadened the circle of those we love. We have now organized what are modestly described as super-powers, which include groups of people from divergent ethnic and cultural backgrounds working in some sense together — surely a humanizing and character building experience. If we are to survive, our loyalties must be broadened further, to include the whole human community, the entire planet Earth. Many of those who run the nations will find this idea unpleasant. They will fear the loss of power. We will hear much about treason and disloyalty. Rich nation-states will have to share their wealth with poor ones. But the choice, as H. G. Wells once said in a different context, is clearly the universe or nothing." (Carl Sagan)
De uma forma simplificada, recorrendo a juízos de valor... Este querer fazer o bem, este dar da outra face, parece-me, por vezes, uma arma poderosa ao serviço daqueles que escolhem fazer o mal. Porque esta minha construção ética, é, precisamente, aquilo que me impede de responder na mesma moeda. Por vezes, tenho dúvidas se é assim que deve ser... "Widespread intellectual and moral docility may be convenient for leaders in the short term, but it is suicidal for nations in the long term. One of the criteria for national leadership should therefore be a talent for understanding, encouraging, and making constructive use of vigorous criticism." (Carl Sagan) [Aguardo a oportunidade de ouvir Third, o novo de Portishead, uma das bandas da minha vida...]
Somos diamantes, que a vida vai esculpindo...
E... E S A R I N T U L O M D P C F B V H G J Q Z Y X... E S A R I N T... E S A R... E S A... E S A R I N T U L O... E S A R... E S A R I N T U L O M D... E S A R I... E S A R I N... E S A... E S A R I... E S A R... E... Extraordinaire, Le Scaphandre et le Papillon... [fotografia: www.lescaphandre-lefilm.com]
Em viagem, cá por dentro, com paragem em Monsanto...
Pé firme leve dança que o saber seja adulto mas o brincar de criança. (Agostinho da Silva) [Sr. Beringela, que ontem por aqui passou na sua nave espacial...][Oiço Blind, de Hercules and Love Affair, com a participação de Antony na voz. Depois, Seventh Tree, o novo de Goldfrapp..]
Vale a pena ler, ou ouvir, o discurso do dramaturgo britânico Harold Pinter, de 7 de Dezembro de 2005, dia em que foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. [fotografia: www.haroldpinter.org]"In 1958 I wrote the following: 'There are no hard distinctions between what is real and what is unreal, nor between what is true and what is false. A thing is not necessarily either true or false; it can be both true and false.' I believe that these assertions still make sense and do still apply to the exploration of reality through art. So as a writer I stand by them, but as a citizen I cannot. As a citizen I must ask: What is true? What is false? [...] Political language, as used by politicians, does not venture into any of this territory since the majority of politicians, on the evidence available to us, are interested not in truth but in power and in the maintenance of that power. To maintain that power it is essential that people remain in ignorance, that they live in ignorance of the truth, even the truth of their own lives. What surrounds us therefore is a vast tapestry of lies, upon which we feed. [...] I believe that despite the enormous odds which exist, unflinching, unswerving, fierce intellectual determination, as citizens, to define the real truth of our lives and our societies is a crucial obligation which devolves upon us all. It is in fact mandatory. If such a determination is not embodied in our political vision we have no hope of restoring what is so nearly lost to us - the dignity of man."
"Only those who will risk going too far can possibly find out how far one can go." (T.S. Eliot)
The world is like a ride in an amusement park and when you choose to go on it you think it's real because that's how powerful our minds are. And the ride goes up and down and around and around and it has thrills and chills and it's very brightly coloured and it's very loud. And it's fun - for a while. Some people have been on the ride for a long time, and they begin to question; is this real? Or is this just a ride?[Vídeo: It's Just a Ride, por Bill Hicks] [fotografia: www.billhicks.com]Mais sobre William Melvin Hicks (1961-1994): Documentário It's Just a Ride [Parte 1, 2, 3, 4, 5] Documentário Comic Outlaw [Parte 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7]
E quem ainda não viu Ilha das Flores? [ parte 1 | parte 2 ] [fotografia: portalliteral.terra.com.br]
Já vi The Corporation, Rescue Dawn, Atonement e Into the Wild. Excelentes... Já 4 luni, 3 saptamani si 2 zile (que em 2007 arrecadou a Palma de Ouro em Cannes) não me encheu as medidas... Persepolis estreia no dia 21 deste mês. I'm Not There chega a 27 de Março... [fotografia: sonypictures.com/classics/persepolis]E Bikur Ha-Tizmoret, será que também vai passar por cá? Enquanto isso não acontece, oiço Vampire Weekend, e os portugueses Saumik.
Depois de Stealing a Nation, tenho de ver The War on Democracy, também do jornalista John Pilger...
Aqui fica a reportagem da minha experiência no Kosovo, publicada em Dezembro do ano passado na NS, com fotografias de Vasco Neves: Amor em Tempo de Guerra [ZIP 35MB]. [fotografia: Vasco Neves | Kosovo]
Um rapaz recebe um cavalo no seu 14º aniversário. Todos na aldeia exclamam: "Oh, que maravilhoso". Mas o mestre Zen, também habitante da povoação, diz: "Veremos..." Certo dia, o rapaz cai do cavalo e parte um pé. Todos na aldeia exclamam: "Oh, que horrível". Mas o mestre Zen diz: "Veremos..." A aldeia entra em guerra e todos os jovens homens têm de ir para a frente de batalha. Mas o rapaz, incapacitado, fica na retaguarda. Todos exclamam: "Oh, que maravilhoso". Mas o mestre Zen diz: "Veremos..."[Já tenho História Trágica com Final Feliz, de Regina Pessoa. Por agora, oiço some people have REAL problems, o novo álbum de Sia...]
[Amanhecer de hoje...]
[Sortelha, no primeiro dia de 2008...]
Aqui fica o trabalho publicado no DN, no passado dia 4 de Dezembro, sobre os concursos call-TV das madrugadas da SIC ( Quando o Telefone Toca) e da TVI ( Toca a Ganhar): página 32 e página 33.
A NS, a revista que sai aos sábados com o Diário de Notícias e com o Jornal de Notícias, traz amanhã a reportagem da minha experiência no Kosovo...
Apesar da profundidade com que me dediquei a esses pensamentos, motivados por histórias ou imagens de alguém que viveu, nunca se aproximaram daquilo que senti junto desta gente, e desta terra tão diferente. Hoje compreendo melhor esse exercício da suposição, e os limites da imaginação. Coincidem com a fronteira do que vivi, mesmo que através de ti... Do verdadeiro pesadelo não se pode acordar, e isso faz toda a diferença... Mas continuo a tentar chegar-me perto, longe que estou por aquilo que sou... O que sentirá aquela criança, de mochila às costas, ao cruzar-se com o cemitério improvisado à beira da estrada? Em que pensará, através do nevoeiro de mais uma madrugada gelada? Ir sempre foi abrir horizontes, e ganhar perspectiva. Só o distanciamento, que nos chega com o tempo, me pode ajudar a compreender esta viagem. Por enquanto, as palavras custam a sair... Penso nestas pessoas, e neste lugar despedaçado a que chamam casa. Penso na minha, e nesse quente e adiado regressar...
"After being taken to an animal hospital his health began to improve but he seemed spiritless - until he developed a friendship with a white pigeon." [fotografia: UPPA/Photoshot]The abandoned monkey who has found love . www.dailymail.co.uk
Sinto esse coração, que marca o passo do meu. O meu coração vive no teu...
O que guarda de mais profundo e afectivo, nestes 90 anos?Para mim, foi sempre muito bom falar com os outros. Questionar, aprender com cada um... (Júlio Resende em entrevista à Visão) ... Lugar do Desenho . www.lugardodesenho.org
Mais tormentas, noite dentro, e a incerteza do futuro no centro... [Ainda não ouvi In Rainbows, o novo de Radiohead. Nem Song of the New Heart, feito no nosso país por Mazgani. Entretanto, já tenho bilhetes para Nouvelle Vague (Aula Magna, 7 de Dezembro), obrigatório depois do êxtase colectivo na Casa da Pesca...]
Ingrid Eto ( Zero 7 Instrumental Project), Aula Magna, 12 de Outubro...
[Quinta da Regaleira, Sintra, durante o fim-de-semana de deleite...]
Quem dera fosse tão simples como no escrever... E me bastasse apagar o des para te ter... [ Smokey Rolls Down Thunder Canyon, de Devendra Banhart, chega a 24 de Setembro, Some Things Just Stick In Your Mind, de Vashti Bunyan, a 8 de Outubro, e Some People Have Real Problems, de Sia, só em Janeiro do próximo ano...]
No próximo dia 3 de Setembro chega (talvez) o último álbum de Manu Chao, La Radiolina. No mês seguinte, a dia 8, é a vez do novo de Beirut, The Flying Club Cup. Por agora, oiço Oi miten suuria voimia!, de Regina...
O duro Mysterious Skin chega finalmente às nossas salas de cinema...    [Agosto além do Tejo...]Mais do que ser primeiro Herói é quem Sabe dar-se inteiro E dentro de si mesmo, ir mais além.(Manuel Alegre)
O céu chora milhões de estrelas - são meteoros das Perseidas. Nada mais do que um fenómeno cósmico que assinala a tua ausência... ... [ OAL . www.oal.ul.pt ]
Pela frescura da manhã, se nos largar a almofada. Se não, pela brasa da tarde, que ainda é cedo. Certezas? Apenas a de que a viagem irá terminar (ou será começar?) num mergulho de mar, e melodias do mundo ao luar... ... [ FMM . www.fmm.com.pt ]
Há tanto que perde a importância, que ganha insignificância, na distância, quando aquilo que realmente interessa se sente com abundância... [Oeiras...][Grande concerto de Nouvelle Vague no CoolJazz Fest...]
Torno a pisar o trilho certo, e mato a sede trazida do deserto... [Praia do Ribeiro do Cavalo, há dois dias. Parabéns, meu caro...][Já é possível reservar Our Love to Admire, o novo de Interpol. Oiço Abacabok, de Tartit...]
Ver-te adormecer... Esse doce adormecer. Esse sorriso do tamanho do que sinto, cá dentro, livre... De asas que voam sinceras, tão meigas, por este amanhecer. Pela quentura da paixão e pela ternura do amor... E por essa louca, ou tão lúcida, consciência de viver o sonho...
Assusta-me, a possibilidade: de sermos muitos num só. Dessa multiplicidade de escolhas. Num nó. A cada momento, mais do que uma realidade... Antes desse próximo eu: nós. E que escolho? Quem sou? Assusta-me, por tudo o que não quero. E por tudo o que sim... Assusta-me, às vezes. Outras me descansa... [ Grande festa, Barão. Sempre a aprender... ]
Aos poucos, o devido reconhecimento e a visibilidade merecida: os portugueses Become Not na Agência Lusa da Radar e na capa da Agenda Cultural FNAC. O álbum homónimo já está nas lojas... Para quem não conhece, aqui fica uma excelente oportunidade: Become Not . 30 de Junho . 21h30 . Fórum FNAC de Cascais [Por aqui, vou ouvindo The Only Thing I Ever Wanted, de Psapp, enquanto navego pelo trabalho fotográfico de Jamey Stillings...]
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