terça-feira, julho 16, 2013

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"I do things like get in a taxi and say, «The library, and step on it.»” (David Foster Wallace, Infinite Jest)

quinta-feira, julho 11, 2013

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"Chegou a hora da responsabilidade dos agentes políticos." (Cavaco Silva) Só está a contar a partir de agora?

quarta-feira, julho 10, 2013

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Além da caldeirada que para aí vai, e que a malta vai discutindo, o discurso do Aníbal deixou-me com uma dúvida marginal... O tipo diz que eleições antecipadas imediatas poderiam comprometer aquilo que já foi conseguido... Ora, é aí que me perco: mas o que é que já foi conseguido?

terça-feira, julho 09, 2013

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"'Mario, what do you get when you cross an insomniac, an unwilling agnostic and a dyslexic?'

'I give.'

'You get someone who stays up all night torturing himself mentally over the question of whether or not there's a dog.'"

(David Foster Wallace, Infinite Jest)

segunda-feira, junho 24, 2013

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"E quando acaricio a cabeça do meu cão, sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique."

(Clarice Lispector, A Hora da Estrela)

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C: Nelson, você se referiu à solidão. Você se sente um homem só?
N: Do ponto de vista amoroso eu encontrei Lúcia. E é preciso especificar: a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal.

(Entrevista de Nelson Rodrigues a Clarice Lispector, 1968)

segunda-feira, junho 17, 2013

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Prepara a revolução armada há meses. Sozinho. Não quer cá confusões. Gosta das coisas à sua maneira. "Se quero bem feito, faço eu", diz amiúde. Está quase tudo pronto. Quase... Só há um problema: as políticas de austeridade e os sucessivos cortes no seu rendimento mensal reduziram drasticamente a capacidade de financiar o ambicioso projecto de transformação social. Feitas as contas, o dinheiro já só lhe chega para uma bala. Apenas uma bala: pelo que a dúvida se instala... "A qual dos bandidos devo apontar? Cavaco? Passos Coelho? Gaspar?" Enquanto limpa cuidadosamente as lentes da mira telescópica da sua espingarda de longo alcance, vai imaginando que tiro terá maior probabilidade de instaurar o caos que precede a sua ideia de um novo Portugal. "Não posso falhar"...

sexta-feira, junho 14, 2013

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"Durante o caminho, despedaçou-lhe a alma a quase absoluta certeza de que nunca poderia exprimir, nem com alusões, e ainda menos com palavras explícitas, nem sequer com o pensamento, os momentos de fugaz felicidade que tinha consciência de ter atingido."
(Enrique Vila-Matas, Suicídios Exemplares)

quarta-feira, junho 12, 2013

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"Penso que o livro é uma das possibilidades de felicidade concedida aos homens."
(J. L. Borges, O Livro)

quinta-feira, junho 06, 2013

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"Há uma velha história acerca de um trabalhador suspeito de roubar no trabalho: todas as tardes, quando sai da fábrica, os vigilantes inspeccionam cuidadosamente o carro de mão que ele empurra, mas nunca encontram seja o que for. Até que um dia se descobre a trama: o que o trabalhador rouba são carros de mão!" (Slavoj Zizek, Violência)

quinta-feira, maio 23, 2013

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Acabei de acordar sobressaltado. Ainda não estou em mim. Sonhei que assistia ao Big Brother, que os concorrentes eram Cavaco e os membros do Conselho de Estado, e que eu via e ouvia tudo o faziam e diziam; enquanto isso, no meu sonho, Zezé Camarinha e companhia reuniam-se em Belém à porta-fechada...

terça-feira, maio 07, 2013

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"Outra coisa que sei é que não se deve pedir de mais aos livros. Também eu, nos inquietos anos da juventude, exigi dos livros que transformassem o Mundo e das palavras que me dissessem o que julgava que sabia. Depois fui aprendendo, lendo livros, que a sabedoria das palavras é feita de irrisão e de silêncio, de liberdade e de desnecessidade, e que, mesmo que as palavras e o livros possam transformar o Mundo, nem as palavras nem os livros gostam de ser empurrados."

(Manuel António Pina, Crónica, Saudade da Literatura)

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"De regresso ao meu cadeirão, mal-humorado, e olhando de novo aqueles oligarcazinhos de meia tigela, que bebiam e comiam de tudo com tão boa boca, avidamente metidos até ao gasganete em negociatas de batatas ou de batotas, em tráficos de terrenos ou de terrores, acudiu-me a conclusão de não ser por acaso que «poder» e «podre», em português, se escrevem fatalmente com as mesmas letras."

(David Mourão-Ferreira, Um Amor Feliz)

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A longa caminhada deixara-lhe a garganta seca. Ainda havia tempo, pelo que tratou de abancar numa esplanada para molhar o bico. As luzes vermelhas dos néons do concessionário, do outro lado da estrada, transportaram-no de imediato para o fogoso encontro da noite anterior... Usada e em bom estado, pensou - assim se poderia também definir a Glória, mulher rodada e enxuta que uma vez por semana lhe vendia o amor às prestações na rua da Esperança. Meditava sobre essa outra sede, essa outra insaciável: a falta que faz uma mulher, constatou, a falta que faz...

- Uma água com gaja, por favor... Com gás, uma água com gás, e com muito gelo - tentou emendar...

sexta-feira, maio 03, 2013

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"The more powerful and original a mind, the more it will incline towards the religion of solitude." (Aldous Huxley)

sexta-feira, abril 26, 2013

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"Bem me dizia uma senhora, era mesmo uma senhora, em casa de quem eu andei a trabalhar, mas que depois, coitadinha, acabou por dar em droga: que é preciso a gente meter-se o mais que possa em vale de lençóis, a dormir ou a fazer outra coisa, o Mestre entende-me, para ao menos deixar a gente de pensar que esta vida é um vale de lágrimas."

(David Mourão-Ferreira, Um Amor Feliz)

segunda-feira, abril 22, 2013

Afinidade

"Sentimos uma afinidade com certo pensador porque concordamos com ele; ou porque nos mostra o que já pensávamos; ou porque ele nos mostra de modo mais articulado o que já pensávamos; ou porque nos mostra o que estávamos perto de pensar; ou o que mais cedo ou mais tarde pensaríamos; ou o que teríamos pensado muito mais tarde se o não tivéssemos lido agora; ou o que seria verosímil que pensássemos, mas nunca teríamos pensado se o não tivéssemos lido agora; ou o que teríamos gostado de pensar, mas nunca teríamos pensado se o não tivéssemos lido agora." (Lydia Davis, Contos Completos)

sexta-feira, abril 19, 2013

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"Tu, aos vinte anos. Depois, aos vinte e dois, já tão revolucionariamente liberta dos preconceitos de dois anos antes que até condescendeste, a meu pedido, durante as férias grandes na Foz do Arelho, a que por mais de uma vez te visse inteiramente nua, dentro da barraca de lona isoladamente armada diante do mar, aonde ofegantes chegávamos, manhã cedo, por caminhos diferentes, com um avanço de mais de duas horas sobre a hora de chegada das tuas tias (e era preciso que eu entretanto me escapasse para junto da lagoa, e a toda a gente desse a impressão de que tinha vindo directamente da povoação da praia), mas que minutos esses - ah, que minutos fabulosos! - a ardermos de febre e a tremermos de frio na manhã invariavelmente enevoada, completamente nus, e de pé, perturbados, extáticos, um ao lado do outro, um defronte do outro, de uma das vezes mesmo ambos deitados na areia húmida quase por cima um do outro, e tu com a boca torcida, os olhos alterados, as coxas apertadas em torno da minha mão, mas sem receio já de por instantes gemeres, e eu maravilhado e orgulhoso, deslumbrado e confuso, ao mesmo tempo quase em pânico, por tão de súbito verificar que também vibravas, e que não eram só as outras, venais ou não, já bem rodadas, muitos experientes, que entre as coxas detinham o monopólio do prazer." (David Mourão-Ferreira, Um Amor Feliz)

terça-feira, abril 16, 2013

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"O berço baloiça por cima de um abismo e o senso comum diz‑nos que a nossa vida mais não é do que uma brecha de luz entre duas eternidades de treva. Apesar de gémeas idênticas, vulgar será que o homem olhe com maior calma o abismo pré‑natal do que o outro para o qual se dirige (a qualquer coisa como quatro mil e quinhentas batidas de coração por hora). Sei no entanto de um jovem cronófobo que entrou numa espécie de pânico quando viu pela primeira vez cenas filmadas em sua casa, semanas antes de ter nascido. Viu um mundo praticamente igual — a mesma casa, as mesmas pessoas — mas reparou que ele próprio ainda lá não estava nem havia quem lamentasse a sua ausência. De relance viu a mãe dizer adeus na janela do andar de cima, e esse estranho gesto perturbou‑o como se fora uma misteriosa despedida. Porém, o que mais o assustou foi a imagem de um carro de bebé com o ar pretensioso, com o ar abusivo de um esquife, novinho em folha e parado no vestíbulo; também ele vazio, como se os seus próprios ossos, nessa corrida inversa de factos, se tivessem desintegrado."

(Vladimir Nabokov, Fala, Memória)

quarta-feira, abril 10, 2013

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"Tenho comigo a fotografia de 38 onde nos assemelhamos a dois jovens noivos e é sempre com um nó na garganta que olho esta imagem da nossa passada felicidade!... [...] Partirmos dos dois de mochila às costas cmo quando eramos jovens!... Alpes, Pyreneos, Bretanha - é loucura aquilo que se pode aspirar na vida quando se vai morrer...
Sabes que muitas vezes falávamos de uma filhinha... Que tortura para mim, hoje!... [...] Vês tu, perante a morte, é a vida contigo o que mais me tortura. [...]
E agora, meu amor, vida minha, é preciso deixar-te, dizer-te adeus para sempre. [...]
Adeus pequena... adeus a todos os lugares em que nos amámos."

(Cartas de Fuzilados, Maurice Lacazette, 20.02.1943)

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"Pelo caminho, ao atravessarmos não sei que praça, chegaram-nos ao ouvido os sons de um violino de cego, estropiando uma linda ária. E Ricardo comentou:
- Ouve esta música? É a expressão da minha vida: uma partitura admirável, estragada por um horrível, por um infame executante..."

(Mário de Sá-Carneiro, A Confissão de Lúcio)

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"A loucura, objecto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente."

(Machado de Assis, O Alienista)

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"Quando receberem esta carta, já terei sido executado [...]. A vida sobre a terra separou-nos mas é preciso que saibas que o meu pensamento estará sempre contigo. Querida Gilberte, peço-te que sejas corajosa como sempre tens sido, para bem da nossa querida filha. Morrerei com a sua fotografia, tirada no jardim, entre as mãos."

(Cartas de Fuzilados - Louis Chapiro, 11.01.1944)

quarta-feira, março 27, 2013

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Entro no metro. Encosto-me à porta do lado contrário, um solavanco, e aí vamos nós: uns parecem perdidos dentro das suas cabeças, olhos postos num vazio; outros falam, quase todos ao telemóvel; há quem mande mensagens, muitos ouvem música...

Reparo num jovem casal, de pé, lado a lado, no fundo da carruagem. Sorriem, as mãos dadas. Não são fones que levam nos ouvidos. São estetoscópios... Os fios cruzam-se entre eles, à altura do pescoço, e introduzem-se através das golas da camisolas um do outro. O dele pela dela. E a dela pelo dele. Assim vão, enquanto os corações baterem...

sexta-feira, março 15, 2013

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"Nothing optional - from homosexuality to adultery - is ever made punishable unless those who do the prohibiting (and exact the fierce punishments) have a repressed desire to participate. As Shakespeare put it in King Lear, the policeman who lashes the whore has a hot need to use her for the very offense for which he plies the lash."

(Christopher Hitchens, God Is Not Great)

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"A melancholy lesson of advancing years is the realisation that you can't make old friends."

(Christopher Hitchens, Unacknowledged Legislation: Writers in the Public Sphere)

quarta-feira, março 13, 2013

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"Faith is the surrender of the mind, it's the surrender of reason [...]. It's our need to believe and to surrender our skepticism and our reason, our yearning to discard that and put all our trust or faith in someone or something." (Christopher Hitchens)

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"Religion comes from the period of human prehistory, where nobody - not even the mighty Democritus who concluded that all matter was made from atoms - had the smallest idea of what was going on. It comes from the bawling and fearful infancy of our species, and is a babyish attempt to meet our inescapable demand for knowledge (as well as for comfort, reassurance, and other infantile needs). Today, the least educated of my children knows much more about the natural order than any of the founders of religion."

(Christopher Hitchens, God is Not Great)

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"In a culture that is becoming ever more story-stupid, in which a representative of the Coca-Cola company can, with a straight face, pronounce, as he donates a collection of archival Coca-Cola commercials to the Library of Congress, that 'Coca-Cola has become an integral part of people's lives by helping to tell these stories,' it is perhaps not surprising that people have trouble teaching and receiving a novel as complex and flawed as Huck Finn, but it is even more urgent that we learn to look passionately and technically at stories, if only to protect ourselves from the false and manipulative ones being circulated among us."

(George Saunders, The Braindead Megaphone)

quarta-feira, março 06, 2013

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"Deixa-me olhar um pouco para o mar. Deixa-me estar um pouco sem tempo, que é a verdade do azul do mar. Deixa-me perder a idade que perdi. Há espaço bastante a todo o horizonte marinho para o bocado de infinito que ainda trago comigo. Há ainda veraneantes na praia para eu daqui tomar banho com eles. Vou respirar fundo, que é o que sempre apetece diante do mar para inspirarmos o universo com a inspiração. Vou ficar a olhar o brilho das águas nos jogos do meu devaneio."

(Vergílio Ferreira, Em Nome da Terra)

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"Há uma mulher muito viva, chama-se Albertina, talvez conheças, foi corista e mesmo actriz, ela faz questão em repetir. Pergunto-lhe como veio até aqui, ela conta. E então o merceeiro fez-se ao piso - e eu precisava da mercearia, o doutor calcula - e eu calculava. Mas era muito mau na cama. Fazia os seus preparativos, é claro, mas depois quando metia, cuspia logo, e eu ficava em brasa, deve calcular - e eu calculava. Mas tinha um irmão, oh, isso era um homem como nunca há-de haver outro. Eram beijos devagar, era muito lento, sempre, beijos devagar desde as pernas e depois, mesmo onde se não esperava, mesmo aí e com demora, sim senhor, e depois por ali acima e eu estava já a arder e dizia-lhe mete, mete, pelas cinco chagas de Cristo mete já, e ele metia mas sempre devagar. Às vezes tirava ainda ou brincava à entrada e eu já não podia mais e ele sempre metendo por fim até ao fundo e eu dizia-lhe mexe-te, pelo amor de Deus, mexe-te de uma vez e ele enfim começava mas eu já não aguentava mais e rebentava toda por dentro e ele então acelerava e aí eu estoirava duas três dez vezes e eu só lhe dizia acaba tu também, mas ele devagar não acabava e às tantas eu não podia mais e empurrava-o com toda a força mas ele agarrava-se como uma lapa, queria também a sua parte, e muito tempo depois, finalmente, ele dava também o seu estoiro e aí então eu atirava com ele para os infernos com ódio, tinha-lhe raiva de tanto gozo e ele muito calmo vestia-se e quando já se ia embora eu tinha pena ou não sei o que era, e se ele não vinha ter comigo até dois ou três dias, ia eu doida à procura dele.
- E o irmão?
- Não achava mal, ficava tudo em família. E depois eu tinha mais paciência com ele [...]

(Vergílio Ferreira, Em Nome da Terra)

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"E do lado oposto há um pequeno jardim sem canteiros, digamos um pátio com bancos para a invalidez. Nunca lá vi ninguém, porque a invalidez, para lá chegar, tem de ter ainda um pouco de perna disponível, e a tê-la, prefere levá-la até lá fora e dar-lhe ar."

(Vergílio Ferreira, Em Nome da Terra)

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"[...] que estupidez querer explicar o ser. Ou o azul. Ou uma cor que não existe e é a tua. Ou a harmonia do repouso da minha vida inteira aí."

(Vergílio Ferreira, Em Nome da Terra)

segunda-feira, março 04, 2013

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"Hannah Arendt used to speak of ‘the lost treasure of the revolution’: a protean phenomenon that eluded the capture of those who sought it the most. Like Hegel’s ‘cunning of history’ and Marx’s ‘old mole’ that surfaced in unpredictable and ironic places, this mercurial element did quicken my own short life in the magic, tragic years that are denoted as 1968, 1989, and 2001. In the course of all of them, even if not without convolutions and contradictions, it became evident that the only historical revolution with any verve left in it, or any example to offer others, was the American one. (Marx and Engels, who wrote so warmly about the United States and who were Lincoln’s strongest supporters in Europe, and who so much disliked the bloodiness and backwardness of Russia, might not have been either surprised or disconcerted to notice this outcome).

To announce that one has painfully learned to think for oneself might seem an unexciting conclusion and anyway, I have only my own word for it that I have in fact taught myself to do so. The ways in which the conclusion is arrived at may be interesting, though, just as it is always how people think that counts for much more than what they think. I suspect that the hardest thing for the idealist to surrender is the teleological, or the sense that there is some feasible, lovelier future that can be brought nearer by exertions in the present, and for which “sacrifices” are justified. With some part of myself, I still ‘feel,’ but no longer really think, that humanity would be poorer without this fantastically potent illusion. ‘A map of the world that did not show utopia,’ said Oscar Wilde, ‘would not be worth consulting.’ I used to adore that phrase, but now reflect more upon the shipwrecks and prison islands to which the quest has led.

But I hope and believe that my advancing age has not quite shamed my youth. I have actually seen more prisons broken open, more people and territory ‘liberated,’ and more taboos broken and censors flouted, since I let go of the idea, or at any rate the plan, of a radiant future. Those ‘simple’ ordinary propositions, of the open society, especially when contrasted with the lethal simplifications of that society’s sworn enemies, were all I required. This wasn’t a dreary shuffle to the Right, either. It used to be that the Right made tactical excuses for friendly dictatorships, whereas now most conservatives are frantic to avoid even the appearance of doing so, and at least some on the Left can take at least some of the credit for at least some of that. It is not so much that there are ironies of history, it is that history itself is ironic. It is not that there are no certainties, it is that it is an absolute certainty that there are no certainties. It is not only true that the test of knowledge is an acute and cultivated awareness of how little one knows (as Socrates knew so well), it is true that the unbounded areas and fields of one’s ignorance are now expanding in such a way, and at such a velocity, as to make the contemplation of them almost fantastically beautiful. One reason, then, that I would not relive my life is that one cannot be born knowing such things, but must find them out, even when they seem bloody obvious, for oneself. If I had set out to put this on paper so as to spare you some or even any of the effort, I would be doing you an injustice."

(Christopher Hitchens, Hitch 22)

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"For a lot of people, their first love is what they'll always remember. For me it's always been the first hate, and I think that hatred, though it provides often rather junky energy, is a terrific way of getting you out of bed in the morning and keeping you going. If you don't let it get out of hand, it can be canalized into writing. In this country where people love to be nonjudgmental when they can be, which translates as, on the whole, lenient, there are an awful lot of bubble reputations floating around that one wouldn't be doing one's job if one didn't itch to prick." (Christopher Hitchens)

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"My own opinion is enough for me, and I claim the right to have it defended against any consensus, any majority, anywhere, any place, any time. And anyone who disagrees with this can pick a number, get in line, and kiss my ass." (Christopher Hitchens)

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"The only position that leaves me with no cognitive dissonance is atheism. It is not a creed. Death is certain, replacing both the siren-song of Paradise and the dread of Hell. Life on this earth, with all its mystery and beauty and pain, is then to be lived far more intensely: we stumble and get up, we are sad, confident, insecure, feel loneliness and joy and love. There is nothing more; but I want nothing more."

(Christopher Hitchens, The Portable Atheist)

terça-feira, fevereiro 26, 2013

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"Um dia eu disse-te um corpo. Um corpo forte. Tudo o mais vem daí. A força. A segurança. E tu disseste que nem sempre. Mas era o teu feitio - dizeres o contrário do que eu dissesse. Está a chover e eu digo - vamos ter chuva. Muito sabes tu, dizias, amanhã pode estar sol. Está sol e eu digo vem aí o bom tempo. Ora, está aqui está a chover outra vez. Para te ter de acordo comigo às vezes dizia o contrário do que pensava e tu dizia o contrário do que eu dizia e concordavas comigo sem o saberes."

(Vergílio Ferreira, Em Nome da Terra)

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

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«Teve uma infância estranha», disse Austin. «Em última análise, todas as infâncias o são», disse Mister DeLuxe. «Molero diz», disse Austin, «que a infância do rapaz foi particularmente estranha, condicionada por questões de ambiente que fizeram dele, simultaneamente, actor e espectador do seu próprio crescimento, lá dentro e um pouco solto, preso ao que o rodeava e desviado, como se um elástico o afastasse do corpo que o transportava e, muitas vezes, o projectasse brutalmente contra a realidade desse mesmo corpo, e havia então esse cachoar violento do que era e a espuma do que poderia ser, asa tenra batendo à chuva.»

(Dinis Machado, O que diz Molero)

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

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Era um vez um comerciante honesto, amante do seu País, homem recto e simples (lento, diriam alguns), incapaz de ler nas entrelinhas, fiel a todos os poderes instituídos, zeloso dos seus deveres, e que decidiu um belo dia começar a denunciar os seus clientes que não lhe exigiam factura...

terça-feira, janeiro 08, 2013

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O autocarro pára em Alcântara, vindo do centro da cidade. As portas abrem-se e entra uma senhora estridente:
- "Passa na Praça de Espanha?"
- "Isso é do outro lado", esclarece o motorista. Visivelmente perplexa e ligeiramente assustada, pergunta:
- "Qual outro lado?"

Não resisto: levanto-me do meu lugar junto à porta, ergo os braços de mãos abertas e, curvando-me sobre ela, agito os dedos e arrasto uma voz intencionalmente cavernosa:
- "Do laaadoo de láááááá, uuuhhhh, ah ah ah AH AH..."

segunda-feira, dezembro 17, 2012

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"Sinto-me às vezes tocado, não sei porquê, de um prenúncio de morte. Ou seja uma vaga doença, que se não materializa em dor e por isso tende a espiritualizar-se em fim, ou seja um cansaço que quer um sono tão profundo que o dormir lhe não basta — o certo é que sinto como se, no fim de um piorar de doente, por fim largasse sem violência ou saudade as mãos débeis de sobre a colcha sentida.
Considero então que coisa é esta a que chamamos morte. Não quero dizer o mistério da morte, que não penetro, mas a sensação física de cessar de viver. A humanidade tem medo da morte, mas incertamente; o homem normal bate-se bem em exercício, o homem normal, doente ou velho, raras vezes olha com horror o abismo do nada que ele atribui a esse abismo. Tudo isso é falta de imaginação. Nem há nada menos de quem pensa que supor a morte um sono. Por que o há-de ser se a morte se não assemelha ao sono? O essencial do sono é o acordar-se dele, e da morte, supomos, não se acorda. E se a morte se assemelha ao sono, deveremos ter a noção de que se acorda Não é isso, porém, o que o homem normal se figura: figura para si a morte como um sono de que não se acorda, o que nada quer dizer. A morte, disse, não se assemelha ao sono, pois no sono se está vivo e dormindo; nem sei como pode alguém assemelhar a morte a qualquer coisa, pois não pode ter experiência dela, ou coisa com que a comparar.
A mim, quando vejo um morto, a morte parece-me uma partida. O cadáver dá-me a impressão de um trajo que se deixou. Alguém se foi embora e não precisou de levar aquele fato único que vestira."

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego)

sexta-feira, dezembro 14, 2012

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Disse-me: primeiro, inspira profundamente e enche o peito de ar; depois, mergulha no abismo do eu, do outro, e do cosmo; sabe que não mais poderás regressar à superfície, e que não poderás nunca chegar ao fundo...

quinta-feira, dezembro 06, 2012

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(quem fala afinal quando
exausto de falar teu mundo escutas?)

(António Carlos Cortez, Linha de Fogo)

quarta-feira, dezembro 05, 2012

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"Sinto desde há muito que estou diante de uma porta fechada - as coisas essenciais que eu nem posso conhecer nem ver passam-se do outro lado da porta." (Vieira da Silva)

quinta-feira, novembro 29, 2012

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"A partir de então tudo o que sei é que me pus ao espelho da casa de banho a barbear-me com a passividade de quem está a barbear um ausente e foi ali.
Sim, foi ali. Tanto quanto é possível localizar-se uma fracção mais que secreta de vida, foi naquele lugar e naquele instante que eu, frente a frente com a minha imagem no espelho mas já desligado dela, me transferi para um Outro sem nome e sem memória e por consequência incapaz da menor relação passado-presente, de imagem-objecto, do eu com outro alguém ou do real com a visam que o abstracto contém. Ele. O mesmo que a mulher (Edite, chama-se ela mas nada garante que esse homem ainda lhe conheça o nome, que não a considere apenas um facto, uma presença) exacto, esse mesmo Ele, o tal que a Edite irá encontrar, não tarda muito, a pentear-se com uma escova de dentes antes de partirem de urgência para o Hospital de Santa Maria e o mesmo que, dias depois, uma enfermeira surpreenderá em igual operação ao espelho do lavatório do quarto."

(José Cardoso Pires, De Profundis, Valsa Lenta)

sexta-feira, novembro 23, 2012

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"Trata de saborear a vida; e fica sabendo que a pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas. O ofício delas é não parar nunca; acomoda-te com a lei, e trata de aproveitá-la." (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás-Cubas)

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"[...] verdadeiramente, há só uma desgraça: é não nascer."
(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás-Cubas)

terça-feira, novembro 20, 2012

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Cheio de mansidão, aceitei responder a um questionário telefónico contratato pela benemérita Empresa Pública Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa. Num dos momentos mais hilariantes do processo, o inquiridor pretendia aferir o meu acordo ou desacordo com a seguinte afirmação: "A EMEL é uma empresa transparente e séria."

The Shock Doctrine (2009)

quinta-feira, novembro 15, 2012

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"O poder nunca cede senão perante a força. A única linguagem que os homens entenderão é a linguagem das acções; a primeira e obrigatória fase da reforma das leis injustas consiste em as transgredir.
A única força que nós podemos opor, já que não dispomos da força do diálogo nem da protecção jurídica, é a forma de desobediência à lei injusta; mas uma desobediência aberta, sem fraude, nem hipocrisia." (Felicidades Alves, É Preciso Nascer de Novo, 1970)

quarta-feira, novembro 14, 2012

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"Ser revolucionário, em qualquer época, é fazer parte de uma corrente germinal, progressiva, contra uma corrente residual, regressiva: é estar com o futuro contra o passado." (Manuel Laranjeira, Prosas Perdidas)

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"Há tanta solidão no movimento deste mundo que a sentimos nos ponteiros de um relógio." (Charles Bukowski)

quarta-feira, novembro 07, 2012

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"Chamaremos a este homem o viajante - se por acaso isso for necessário - devido à lentidão com que caminha, à perturbação que traz no seu olhar." (Marguerite Duras, O Amor)

segunda-feira, novembro 05, 2012

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Porque é que os livros que citou triunfam de forma tão extraordinária?

Não tenho uma boa resposta para isso. Creio que é sobretudo um problema social. Vivemos em sociedades de consumo, que precisam de criar consumidores. O que é um consumidor? É um cidadão que não reflecte sobre aquilo que compra. Para que um cidadão não reflicta sobre aquilo que compra é necessário educá-lo na estupidez. Quer dizer, fazê-lo crer que não é inteligente, fazê-lo crer que certamente não entenderá os Diálogos de Platão, que seguramente não pode ler Dante, que com certeza não entenderá a Odisseia.

Quem é que está por detrás disso?

Se querer parecer paranoico, creio que as autoridades estatais funcionam em colaboração com as grandes empresas para manter a ideia de que o consumo arbitrário é necessário. Então, a literatura, a leitura devem ser entretenimento no sentido de serem um escape do mundo. O mesmo no que diz respeito à arte, ao cinema, ao teatro. A noção que querem inculcar-nos é a de que a criação artística e intelectual deve ser algo que nos ajude a não pensar.

[...]

No fundo, essa sua opinião - apesar das divergências que mantém com Vargas Llosa - não anda muito longe daquilo que ele escreve no livro de que já falámos, A Civilização do Espectáculo, quando se refere a um triunfo do trivial.

Sim, é o triunfo do trivial e do fácil por contraponto ao que é difícil. A ideia de dificuldade tornou-se um aspecto negativo. Durante muito tempo, a ideia de dificuldade foi algo que valorizámos porque se era difícil era porque valia a pena fazê-lo: fosse subir ao cimo de uma montanha ou estudar as obras de Espinosa ou, inclusive, nas relações humanas, estabelecer uma relação amistosa ou amorosa que requeria esforço. Os cavaleiros da Távola Redonda tinham de passar muitas provações para acederem ao amor que desejavam. Hoje, a dificuldade é vista como algo que tem de se pôr de parte e o que se promove é o que é fácil e rápido. Esta é uma propaganda consciente, feita pelas grandes empresas. Ninguém vai vender um produto dizendo: "Isto é difícil e vai requerer concentração, pense nisso, reflicta se for necessário."

(Alberto Manguel em entrevista à revista Ler, Novembro de 2012)

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"Uma das traduções livres da palavra revolução é esta: revelação. No momento da crise apaixonada, as forças mais intímas, os elementos mais profundos da sociedade revolvida nos seus abismos, agitando-se por chegar à claridade, sobem até à superfície, mostrando-se à luz do dia com uma energia, uma verdade irresistíveis. É uma revelação: vê-se o que há." (Antero de Quental, Prosas)

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"A grande revolução só pode ser uma revolução moral, e essa não se faz de um dia para o outro, nem se decreta nas espeluncas fumosas das conspirações." (Antero de Quental, Cartas)

quarta-feira, outubro 31, 2012

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"- Então que é feito, homem? Não o vejo há muito tempo e tenho pena. Olhe que ainda outro dia falei de si.
- Sim?
- É verdade. Sabe que necessitamos de gente para a Junta de Freguesia e eu sugeri o seu nome. A verdade, meu amigo, é que todos temos obrigação de fazer qualquer coisa. Que diz da minha ideia?
- Nem pense nisso, sr. Engenheiro. Ainda que mo peçam, nunca entrarei para essas coisas. Limito-me a fazer aquilo que sei: chapéus, bonés e barretes.
- Pois tenho pena, meu amigo. Vocês passam a vida a dizer mal e, quando se trata de fazerem qualquer coisa, desaparecem todos.
- Mas eu não digo nada, sr. Engenheiro, nem mal nem bem. Essas coisas não me interessam nem me afectam. De qualquer forma, ainda que eu dissesse mal, não entrava para a Junta de Freguesia ou para qualquer outra junta.
- É o que eu digo: para dizerem mal estão por aqui; para fazerem qualquer coisa, desaparecem.
Não consigo entender o riso. Alguma coisa me há-de fazer rir! O Rodrigues não compreende porque me estou a rir.
- Por mais que queira, não compreendo nem vejo que isso tenha graça. Olhe que é um triste sinal dos tempos e das pessoas...
- Oiça, sr. Engenheiro Rodrigues, olhe que eu não me estou a rir do que o sr. disse. Pelo contrário, admiro a sua ingenuidade.
- Ingenuidade?
- Imagine o sr. Engenheiro que eu fora condenado à morte por uma sentença injusta e que passava os meus dias na cela criticando a sentença e o estado de coisas que a tornara possível. Está a imaginar isto? Pois imagine agora que o carcereiro, farto das minhas críticas permanentes, me vinha propor que eu o auxiliasse a fazer uma corda melhor para a forca, isto sabendo eu que acabaria por ser enforcado por essa corda... Imagine agora que o carcereiro, perante a minha recusa, se afastava pelo corredor fora resmungando que os presos passam a vida a criticar mas que, quando se lhes oferece a possibilidade de concorrerem para o melhoramento das coisas, se recusam a auxiliar os que trabalham cheios de boa vontade. Está a perceber? Não acha que isto revelaria ingenuidade?"

(Luis de Sttau Monteiro, Um Homem não Chora)

sexta-feira, outubro 26, 2012

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Ao almoço, na pequena mesa ao lado da minha, sentam-se dois tipos novos. Assim que se encontram frente a frente, começam a tratar de se evitar. Um deles faz chamadas constantemente; o outro, carrega compulsivamente nas teclas do telefone; o primeiro saca de um iPad, navega no Facebook, envia mails... Enquanto isso, vão-se mantendo à superfície de uma conversa absolutamente abstrusa, totalmente desconexa. Raramente se olham. E eu próprio, contagiado pelo constrangimento, começo a ansiar pela chegada da comida...

Finalmente, as mãos abandonam os gadgets. O silêncio é apenas interrompido pelo ruído dos talheres, ou pela ocasional interjeição que atesta a qualidade da refeição. Podemos relaxar os três, agora que aquilo que não podia ser dito se esconde, tal como as suas cabeças, no fundo dos pratos...

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Se não for muito incómodo, gostaria de pedir a toda a classe política, opinadores de serviço e comentadores ocasionais para, quando se referirem aos portugueses, o fazerem da seguinte forma: "Todos os portugueses menos o Filipe..." Sim, qualquer que seja a circunstância. Muito obrigado.

quinta-feira, outubro 25, 2012

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"O que há de novo no mundo contemporâneo não é o facto nem mesmo o grau de inumanidade que a persistência da fome, da doença, da total exclusão de milhões de homens de um mínimo de dignidade ou até da hipótese da sobrevivência revela, mas a constatação de que esse fenómeno coexiste com o espectáculo de uma civilização aparentemente dotada de todos os meios, de todos os poderes, para a abolir."
(Eduardo Lourenço, O Esplendor do Caos)

quarta-feira, outubro 24, 2012

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Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer o que são,
são aquilo que eu pareço.

(António Aleixo)

segunda-feira, outubro 22, 2012

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"[...] depois do surto do 25 de Abril, os ânimos voltaram a uma espécie de apatia, tanto no campo político como, digamos, no da cidadania. As universidades, que vivem em círculo fechado, mas também o regime partidário, as suas práticas e os seus discursos, o «autismo» dos governos e a sua visão medíocre do futuro, a falta de imaginação e a falta de coragem políticas contribuíram largamente para que os reflexos herdados da ditadura demorassem (e demorem) a dissolver-se. Refiro-me ao medo, à passividade, à aceitação sem revolta do que o poder propõe ao povo. Como se, tal como antigamente, a força de indignação, a reacção ao que tantas vezes aparece como intolerável, escandaloso, infame na sociedade portuguesa (tolerado, aceite, querido talvez pela maneira como as leis e regras democráticas se concretizam na sociedade, quer dizer no húmus das relações humanas), se voltasse para dentro num queixume infindável quanto à «república das bananas» ou «a trampa» que decididamente constituiria a essência eterna de Portugal, em vez de se exteriorizar em acção." (José Gil, Portugal, Hoje - O Medo de Existir)

sexta-feira, outubro 19, 2012

1943-2012

AMOR COMO EM CASA

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

(Manuel António Pina, Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde)

quarta-feira, outubro 17, 2012

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"Até parece que estou a tentar convencer-vos de um sonho - tentativa inútil, porque o relato de um sonho não transmite a sensação-sonho, aquele emaranhado de absurdos e surpresas, o desespero na angústia de sermos aprisionados, a sensação de sermos presas do inacreditável que é verdadeira essência dos sonhos...
Fez um instante de silêncio.
- ... não, é impossível; é impossível transmitir a sensação-vida de uma época que vivemos - aquilo que constrói as suas verdades, o seu significado - a sua penetrante e subtil essência. É impossível. Vivemos como sonhamos - sós..."

(Joseph Conrad, O Coração das Trevas)

segunda-feira, outubro 15, 2012

Mr. Nobody

quinta-feira, outubro 11, 2012

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"[...] É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja".

(Jorge de Sena)

terça-feira, outubro 09, 2012

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"[...] a gente só nasce
quando somos nós
que temos as dores"

(Natália Correia, Autogénese)

terça-feira, setembro 25, 2012

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"Limito-me a deixar ir a minha vida por onde quiser ir; eu sigo-a pacífico na albarda do burro, pus-lhe a rédea ao pescoço já que ele sabe melhor do que eu o caminho a tomar; às vezes nos enganamos os dois, o burro e eu." (Agostinho da Silva)

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"O amor ideal é o amor de marinheiro. Você sempre deve lutar pela liberdade de deixar seu amor ir e vir quando quiser." (Agostinho da Silva)

sexta-feira, setembro 21, 2012

Pudesse Eu

Pudesse eu não ter laços nem limites,
Ó vida de mil faces transbordantes,
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

(Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia)

A Paixão Nua

A paixão nua e cega dos estios
Atravessou a minha vida como rios

(Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas)

quarta-feira, setembro 19, 2012

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"Sê o proprietário de todas as tuas horas. Serás menos escravo do amanhã, se te tornares dono do presente. Enquanto a remetemos para mais tarde, a vida passa. Nada, Lucílio, nos pertence; só o tempo é nosso." (Sêneca, As Relações Humanas)

quarta-feira, agosto 29, 2012

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"Mr. Gould pai, homem sagaz e honrado, tinha contudo um defeito: dava demasiada importância aos formalismos, falta muito comum entre os homens cuja visão das coisas é toldada por preconceitos." (Joseph Conrad, Nostromo)

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"Ela tinha grande confiança no marido; sempre tivera. Desde o início que se deixara impressionar pela sua ausência de sentimentalismo e pelo seu espírito sereno e reservado que só podia, a seu ver, ser sinal inconfundível de competência para levar de vencida as atribulações da existência." (Joseph Conrad, Nostromo)

quarta-feira, julho 11, 2012

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"O que mais admiro nos homens (e o que neles mais me desgosta) é a sua extraordinária capacidade de resistir à monotonia da realidade - às vezes tão medíocre que nem deveria merecer a honra de lhe chamarmos realidade." (José Gomes Ferreira, Imitação dos Dias)

segunda-feira, julho 02, 2012

Quarta, 17 de Junho de 1908

"Estou com a Augusta até à madrugada. Ella tem de sahir cedo de casa, em companhia d'uma visinha.
Anda alegre, despreocupada como se a vida lhe corresse placidamente, e apega-me um pouco d'esse contentamento. De repente fito-me, sinto dentro de mim um pedaço de alegria - de felicidade talvez - e essa alegria assusta-me." (Manuel Laranjeira, Diário Íntimo)

7 de Junho de 1908

"Se eu estou farto de saber que o mundo não pode ser bello como a nossa phantasia o sonha, para que me hei de perturbar com a imperfeição das almas?" (Manuel Laranjeira, Diário Íntimo)

Quarta, 3 de Junho de 1908

"Invade-me a infinita tristeza da existencia, o tedio infinito da vida, dos homens e das cousas." (Manuel Laranjeira, Diário Íntimo)

quinta-feira, junho 28, 2012

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‎"Passara quarenta anos de binóculos assestados, a seguir as migrações das aves e a tomar estranhos apontamentos num caderno. A última vez que foi visto voava a meia altura em direcção ao sul."

(Jorge Sousa Braga, A greve dos controladores de voo)

POEMA DE AMOR

Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o receio de que não
te coubesse no dedo

(Jorge de Sousa Braga,
De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu)

OMEGA electronic

No tempo dos relógios de sol
sempre havia de vez em quando
manhãs de nevoeiro!

(Jorge de Sousa Braga,
De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu)

E agora?

Leio comentários sobre o jogo de Portugal, alguns brutalmente irracionais, surpreendentemente agressivos, com ofensas violentas dirigidas aos jogadores que falharam... Penso nesses vazios quase impossíveis de encarar, nessas vidas às quais é tão difícil regressar, a ponto de se tornar inevitável responsabilizar quem falhou pela miserável ausência de sentido com que o dia de amanhã se apresenta...

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"Numa época e num país no qual todos se pelam por proclamar opiniões ou juízos, o senhor Palomar ganhou o hábito de morder a língua três vezes antes de fazer qualquer afirmação. Se, à terceira dentada na língua, ainda está convencido daquilo que estava para dizer, di-lo; se não, fica calado. Com efeito, passa semanas e meses inteiros em silêncio."
(Italo Calvino, Palomar)

segunda-feira, junho 25, 2012

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"A que se reduz afinal a vida? A um momento de ternura e mais nada..."
(Raul Brandão, Se Tivesse de Recomeçar a Vida)

quarta-feira, junho 20, 2012

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"[...] na vida, aquele que caminha à frente, revestido de esplendor, é aquele que leva consigo um pequeno vaso de lágrimas, e não aquele que aperta na mão um punhado de diamantes."
(Federico Garcia Lorca, Carta a Carlos Morla)

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"Antes no podia pensar en las cosas extraordinarias que tiene el mundo... Me quedaba en las puertas..." (Lorca)

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"Todas as coisas têm o seu mistério e a poesia é o mistério que contém todas as coisas." (Federico Garcia Lorca, Livro de Poemas)

Meditation primera y ultima

El Tiempo
tiene color de noche.
De una noche quieta.

Sobre lunas enormes,
la Eternidad
está fija en las doce.
Y el Tiempo se ha dormido
para siempre en su torre.
Nos engañan
todos los relojes.

El Tiempo tiene ya
horizontes
.

(Federico Garcia Lorca)

Gacela del Amor Imprevisto

Nadie comprendía el perfume
de la oscura magnolia de tu vientre.
Nadie sabía que martirizabas
un colibrí de amor entre los dientes.

Mil caballitos persas se dormían
en la plaza con luna de tu frente,
mientras que yo enlazaba cuatro noches
tu cintura, enemiga de la nieve.

Entre yeso y jazmines, tu mirada
era un pálido ramo de simientes.
Yo busqué, para darte, por mi pecho
las letras de marfil que dicen siempre
,

siempre, siempre: jardín de mi agonía,
tu cuerpo fugitivo para siempre,
la sangre de tus venas en mi boca,
tu boca ya sin luz para mi muerte.

(Federico Garcia Lorca)

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The Daily Show with Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
The Correspondents Explain - The Economy - Banks
www.thedailyshow.com
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terça-feira, junho 19, 2012

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"A vida é feita de lugares-comuns. Acho que a única sinceridade é inventar." (Manuel João Vieira, i,1.1.2012)

segunda-feira, junho 18, 2012

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"Take, say, sports - that's another crucial example of the indoctrination system, in my view. For one thing because it - you know, it offers people something to pay attention to that's of no importance. That keeps them from worrying about - keeps them from worrying about things that matter to their lives that they might have some idea of doing something about." (Noam Chomsky)

E o amor?

sábado, junho 09, 2012

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"Em 1993, os 161 sócios dividem o equivalente ao produto interno bruto da Tanzânia, um país que tem então 26 milhões de habitantes."
(Marc Roche, O Banco - Como o Goldman Sachs Dirige o Mundo)

sexta-feira, junho 08, 2012

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"Para não melindrar ninguem apresento como exemplo uma creada que eu tive, que namorou quasi todo o regimento d'Infantaria 23. [...] Socialmente o namoro é, pois, a relação que se estabele entre duas ou mais pessoas de sexo diferente, a brincar ou a serio, conforme o temperamento de cada um."

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"Assim diz a «Escola Historica»: «O namoro é a troca elevada e nobre de impressões entre duas almas, que por afinidades reciprocas se encontraram na sugestão dum olhar, ou na permuta dum sorriso. É belo porque é puro como a neve da montanha, e num alheamento completo ha dois seres que vivem longe. [...] Por seu turno contesta a «Escola Radical»: «O namoro é um furioso ataque d'estupidez que ataca a mocidade, quasi sempre de consequencias funestas pelos gastos a que obriga em papel e estampilhas, e pelas constipações que origina quando pela calada da noite os dois malucos se dizem chuchices.» [...] Estas são em resumo as doutrinas dos seculos passados, cheirando a bafio d'alfarrabios, dispersas por calhamaços em velhos casarões, onde as foi buscar a evolução para as transformar, e lhes restituir a vida, construindo sobre os seus alicerces o gigantesco edifico da «Escola Intermedia». E quando outro valor esta não tivesse, teria vindo acabar com o velho preconceito de que o namoro se realisa só entre duas pessoas. Puro engano, minhas Senhoras e meus Senhores; tal disposição viria coarctar um dos mais sagrados direitos do homem: a liberdade individual. Nada impede, e a propria natureza o não contraria, que o homem sinta ao mesmo tempo uma serie de paixões, catalogadas com ordem e metodo, egual direito se concedendo ao sexo fragil."

(Elmano de Moraes da Cunha e Costa, O Namôro, 1916)

quarta-feira, junho 06, 2012

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"There will never be a moment when the situation will be fully right for the change. If you wait for the right moment, the right moment will never come. When you intervene, it is always premature." (Slavoj Žižek)

terça-feira, junho 05, 2012

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"Os talentos de primeira ordem - escreve Schopenhauer - jamais serão especialistas. A existência, no seu conjunto, oferece-se a eles como um problema a resolver, e a cada um a humanidade, sob uma ou outra forma, apresentará horizontes novos. Só pode merecer o nome de génio aquele que toma o grande, o essencial e o geral como tema dos seus trabalhos, e não quem passa a vida a explicar alguma relação especial das coisas entre si." (Enrique Vila-Matas, Bartleby e companhia)

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"Nos quatro utimos annos [de 1846 a 1850], o movimento bancario em Portugal tinha-se desenvolvido consideravelmente [...]. Não tardou a que a agiotagem se desenvolvesse desenfreada com a creação de phantasticas Companhias, que só serviam para se interpôrem capitalisticamente entre o thesouro e aquelles que tinham de excutar, a final, os serviços tomados para pretexto da fundação d'ellas. Taes eram a Companhia das Obras Publicas, creada para construir a rêde das estradas, e a Confiança, creada para prestar ao thesouro um emprestimo de 4:000 contos a 5%, condições que o governo impunha á adjudicação do contracto do tabaco." (Bento Carqueja, O Capitalismo Moderno e as suas origens em Portugal, Livraria Chardon, Lello & Irmão, 1908)

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"E posto que viver me é excelente cada vez gosto mais de menos gente." (Agostinho da Silva)